Por quê umha feminista vai ir manhá pedir a liberdade do Patrom Maior
0 comentários Postado por Colectivo Ártabra 21 às 17:30
Som várias as vozes que, ao longo destes dias, criticam às feministas que participamos nas mobilizaçons que solicitam a liberdade de Bernardo Bastida. Eu som umha dessas feministas e vou ir manhá a unir-me à marcha que estám realizando os mariscadores e mariscadoras desta comarca, junto a pessoas vinculadas ao Comité Cidadán de Emerxencia e organizaçons ecologistas, para achegar-se até o cárcere de Teixeiro. Essas vozes acusam-nos de esquecemento dos graves feitos acaecidos há algúns anos, quando o já daquela Patrom Maior, foi julgado e condenado por agressom sexual a umha trabalhadora da Cofradia. Nom, nom esquecemos. Mas nesta ocassom, Bernardo Bastida nom é detido por cometer um delito, nem como conseqüência dumha outra condena. É detido por participar numha mobilizaçom que tinha como objectivo paralisar a entrada ilegal dum gaseiro na nossa Ria. É detido por ser o Patrom da Cofradia, por ser o representante dos mariscadores e mariscadoras. O Patrom Maior convirte-se assim num prisioneiro de Reganosa, para o que outros poderes prestárom os grilhetes e as celas, dizendo que mantê-lo em liberdade criava alarma social, ou como reza no auto "para evitar um possível delito". E como algumhas feministas estavamos alí, umhas nos barcos fazendo fronte ao gaseiro, e outras no porto agardando e alentando a acçom das mariscadoras e mariscadores, puideramos ser nós mesmas as represaliadas, e assim lhe-lo figemos constar à juíza assinando umha autoinculpaçom polos mesmos feitos polos que o Patrom Maior da Cofradia de Ferrol era detido e levado ao cárcere. E ainda sem esquecer, o que nom se pode é virar os olhos ante a injustiça e deixar que umha luita colectiva entre polos tam desiguais, se julgue polo historial delictivo dumha pessoa. Porque a luita por sacar a Reganosa fora da Ria de Ferrol, é umha luita moi desigual. Dum lado a cidadania da comarca de Ferrolterra, com desinformaçom e mesmo abandoada por algumhas forças políticas e sindicais nas que se sentiu de sempre representada; ameazada e agredida polas autoridades que deveriam defendê-la. Doutro lado ENDESA, FENOSA, BANCO PASTOR, CAIXA GALICIA... os de sempre, com medios de comunicaçom moi fortes como LA VOZ DE GALICIA, e agora também cos contertúlios da Rádio Galega; co governo da Xunta do señor Fraga Iribarne para poder asentar sem problema os começos deste fraudulento negócio; e agora, mercando nom se sabe bem a cámbio de qué, novas vontades numhas administraçons governadas por forças políticas de esquerdas que estaríam chamadas a preservar a vida, o meio ambiente e mesmo a legalidade.
Algumhas vozes se escuitam recitando o historial de Bernardo Bastida... Detrás disto saem outras dizendo que as mariscadoras e mariscadores só querem dinheiro, que nom lhes importou ter a Ria contaminada todos estes anos... e ao melhor é verdade, pois o principal para estas pessoas é defender os 500 postos de trabalho que dá esta Ria e que sabemos que poderíam ser muitos mais. Mas o que passa agora, é que a injustiça de Reganosa resulta já um feito palpável, como resulta já evidente que a planta de gás nom vai ser paralisada de momento polo novo governo, como agardavamos muitas pessoas de boa fê. O que passa agora é que vemos entrar os gaseiros, e ver passar a poucos metros da tua casa um gaseiro arrastrado por vários remolcadores é moi didáctico. O que passa agora é que trescentos milhons de litros de auga da nossa Ria, vam ser cloradas todos os dias do ano e expulsadas de novo a mais baixa temperatura, e isto resulta moi doado de entender, salvo para alguns biólogos e técnicos ao serviço da empresa. O que passa é que, como dixo alguém o outro dia na assembleia cidadá "a gente movemo-nos por evidências". Falta saber que move a outras pessoas a desprestigiar este movimento cidadá. Manhá estarei fronte ao cárcere de Teixeiro, junto às trabalhadoras e trabalhadores do mar. Manhá domingo, estarei, porque outras luitas ao melhor nom compartimos, mas esta é a nossa luita, a de toda a cidadania de Ferrolterra. Tenho boa memória mas A RIA É NOSSA E NOM DE REGANOSA.
Lupe Ces
Ferrol - 10.06.2007
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O pensamento conservador convertiu, na boca de Sarkozy, "liberdade, igualdade e fraternidade" en "esforzo, traballo e mérito" -cómpre traducir "privilexios"-. Na esquerda resulta máis funesto aínda. Dá boa conta a trama de Reganosa, que tivo a ben apoiar a Xunta e mesmo o sindicalismo nacionalista.
Ai estivérom, nos cartazes, nos dípticos, nos mitins... muitas, muitas mulheres. Postas por lei, por decreto. Pois sim, foi o jeito de que aparecessem por fim, de que as fossem buscar, de que as tivessem em conta, ainda que quedaramos a fim de contas com poucas alcaldesas, boas e malas, preparadas ou incapaces, honradas ou corruptas, como os alcaldes, mas é umha questom de democracia. Esta vez o conservadorismo ficou mais calado. "É que elas nom querem" repetiam campanha trás campanha. Esse conservadorismo baseado na aceptaçom das cousas como estám, do pessimismo dos feitos consumados. Esse conservadorismo vital na direita e carcinoma letal na esquerda. Esse conservadorismo que vem de falar pola boca de Sarkozy convertendo a "liberté, igualité e fraternité" em "esforço, trabalho e mérito", valores todos eles imprescindíveis, mas que na boca da direita ou do conservadorismo, traduzem-se em privilégios para os que desde sempre tivérom "méritos" sem "esforço" a conta do "trabalho" dos demais. De verdade alguém cre que as desigualdades som um problema de falta de trabalho, esforço ou méritos?
Comentava que o conservadorismo na esquerda é letal. Estas palavras, andam muito da mam por Ferrolterra desde que se permitiu umha prova com gaseiro na planta de REGANOSA . "Agora já está feita!" "Umha vez que se puxo ai hai que apandar com ela!" "Nom morre a gente em acidentes de tráfico?" Tudo isto funcionando como pás de areia que intentam tapar umha das maiores tramas de corrupçom político-empresarial dos últimos anos. Umha trama (documentada em Muros de silencio, trabalho editado pola asociación Fuco Buxán) que vai desde verquidos contaminantes e recheios ilegais na Ria de Ferrol, negócios de carburantes que já estám nos julgados, até documentos oficiais manipulados e pactos secretos entre representantes públicos e empresariais sem escrúpulos. Umha trama que tem a sua origem no Grupo Tojeiro, que se fixo possível pola total identificaçom e cumplicidade do governo de Fraga Iribarne, mas que abrangue cos seus longos tentáculos a sectores que defendem visons produtivistas, antiecológicas e perigosas para a populaçom, com presença na Conselharia de Indústria, nas organizaçons políticas que sustentam o actual Governo da Xunta e mesmo no sindicalismo nacionalista. Nom podemos descuidar tanto a nossa casa! Esse conservadorismo letal polo que campeam sem problemas as políticas neoliberais e contra o que se levanta com muito "esforço" um movimento de resistência civil que soma o "trabalho" de mais de 50 organizaçons e que tem o "mérito" de conseguir romper nos últimos dias os muros de silêncio.
Lupe Ces
Ferrol - 05.06.2007
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Marcadores: Conservadorismo, Lupe Ces
Venho de escoitar na Radio Galega a voz de Ramiro Arca Pichel, director económico administrativo de Reganosa. Decia que as mobilizaçons contra a Planta de Gas, estám danando seriamente a image da comarca, convertindo-a numha zona de difícil desenvolvemento de actividades económicas. Engadia que esta image negativa, tem mais custes que o retraso na entrada da ria dos gaseiros pola acçom das pequenas embarcaçons no mar. Hoje foi um dia moi duro. Duro para todas as pessoas que nos mobilizamos no porto de Ferrol pola convocatória do Comité Cidadá de Emerxencia. Duro para a gente do mar que nom puido aceder às súas embarcaçons e veu como conduziam a prisom ao seu patrom maior. Duro foi estar baixo a pressom de forzas uniformadas e armadas que até diante do próprio julgado demostrarom-nos a determinaçom dos que nos governam, de defender os interesses de Endesa, Unión Fenosa, Grupo Tojeiro, Sonatrach, Xunta, Caixa Galicia, Caixanova e Banco Pastor, todos eles confabulados para fazer da nossa Ria um lugar moi perigosso para viver. Mas somos cada día mais as pessoas que queremos e temos umha outra image da Ria. Queremos umha Ria saneada e viva. Queremos umha Ria que nom mantenha só 500 postos de trabalho do marisqueo, a curto prazo ameazados pola actividade de Reganosa, senom que sabemos que podem ser até 1500, o que daria um pulo muito importante a esta comarca, e sem dana-la, sem ponhe-la em perigo. Dis que o gas é estratégico para Galiza. Mas a verdade é que de Reganosa vai para Meirama (Fenosa) e para As Pontes (Endesa). Duas empresas que levam expoliando Galiza, tanto tempo e com tantos custes ambientais e humanos, que forom e som vergonha para qualquer pessoa cum mínimo de conciência. É a luita por outra maneira de pensar o mundo, é a luita por outra maneira de produzir, é a luita polo controlo democrático da economía. Por isso nom me creo que a image desta comarca seja negativa. Sera-o para empresários sem escrúpulos. Sera-o para empresários da lei do máximo benefício custe o que custe e caiga quem caiga. Sera-o para empresários como os de Pescanova, caprichossos eles, que nom lhes deixárom fazer a piscifactoria no espaço protegido de Tourinham e já nom lhes valia outra cousa, e fórom para Portugal, vaia o demo com eles! E se Reganosa quere ir detrás faremos festa. Mais bem penso eu que a image que queda cada dia mais deturpada é a da própria Reganosa e a dos políticos que a defendem. Por isso Ramiro Arca está preocupado, porque sabe que ninguém dos deles, desses que se vem nas comidas de negócio, na cancha de tenis, nos campos de golf ou na sauna, aprovam a ubicaçom da planta de gas, simplesmente que como já está feita hai que deixa-la como está! Mas é duro para Ramiro Arca Pichel escuitar coa boca pequena dos seus colegas que a ubicaçom é umha machada, que já deveriam ter sabido que iam ter problemas coa gente. Ramiro, desde hai algumhas semanas, vai nervosso a trabalhar representando a Reganosa, a gente da prensa murmura cando passa, hai comentário de costas a ele, confidéncias nom compartilhadas. Ademais Ramiro sabe que cada vez que entre um gaseiro estaremos aí, para dizer que queremos viver, que som ilegais. E até a súa familia, a súa vicinhanza, companheiros da escola das súas crianzas, se as tem, podem começar a sinala-lo como o perigo, uns dos representantes do perigo, o perigo que ameza a nossa vida, cada día mais real, mais palpável, mais sentido.
Lupe Ces
Ferrol - 31.05.2007
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Comecei a minha faixa, escolhim cores moi vivas e um lenço firme, que terme, como umha vela do vento que zoa quase sempre nas minhas janelas cara à Ria. A minha casa sinala à direita, na outra banda, à planta regasificadora de Reganosa. Por isso ainda que queira, nom podo mais que pensar nela um dia sim e outro também. Sílvio Rodríguez soa na minha cabeça "han tirado basura en mi verde jardin, si descubro al culpable de tanto desastre lo va a lamentar".
Estes días especialmente intensos reconciliarom-me coa minha cidade. Umha cidade que parecia estar resignada a viver enxurrada. Umha cidade que com cada maré adormecia ou acordava ao cheiro dos seus própios escrementos. Mas a minha cidade está viva. Escuitei umha frase que nom sei bem a quem pertence, mas que di "as pessoas nom vivem em sociedade, construem sociedade para viver". A minha cidade está viva porque ante umha ameaça como a que representa REGANOSA construe um movimento cidadá de autodefesa. Um movimento que se ergueu hai mais de seis anos, mas que nestes quatro últimos dias conseguiu um dos momentos mais emotivos vividos a nível colectivo na cidade. As concentraçons no peirao de Curuxeias, a saída dos barcos, o seu regresso co froito recolhido arrincando aplausos e opai! das pessoas que os agardavamos... ainda que ao fim o gaseiro entrou. Ganharom, como soem ganhar-lhe em Ferrol, a quem se organiza contra as injustizas, pola força. Mas é triste pensar que detrás dessas ordes e detrás dessas decissons já nom estám os de sempre, agora estám os de sempre e alguns mais. Triste é reconhecer que alguns som amigos e amigas, ou velhos camaradas militantes noutras barricadas. Triste é escuitar umha frase repetida até fartar "em Ferrol esta-se criando um clima de inseguridade que vai fazer que o empresariado fuxa coas suas inversons a outra parte", e que essa frase nom saia da boca dos de sempre, senom dos de agora. Triste é que o "desarrollismo" dos anos sesenta se instale na Conselharia de Industria, mentres o mundo fai, mais decididamente que nunca, umha condena do modelo económico que o inspirou.
Nom sei que tipo de pactos podem desembocar num despropósito tam grande como é nestes momentos a planta de gás do concelho de Mugardos. Nom sei que tipo de políticas avalam um apoio sem medida a um grupo empresarial que nunca se destacou polo seu contributo ao bem comúm. Nom sei que tipo de políticas avalam um fazer os ouvidos xordos ante tanta voz do movimento cidadá que alerta do perigo para a cidadania. Nom sei que tipo de políticas avalam o considerar que a ameaza da planta de gás queda superada polo interesse estratégico que tem.
Nom sei. Mas o que sim sei é que essas políticas nom me representam, e o dia 27 irei dar o meu voto pola Ria, pola vida, por essa cidade viva e nom escrava dos pactos e os interesses económicos.Esta cidade coa que me reconciliei estes días, onde vemos caras novas e também velhas. Esta cidade onde a soldadura uniu as aristas que levamos cada quem ao lombo, para unir-nos porque está ameazada a nossa vida.
Estou pintando a minha faixa para pendurar da minha janela porque ainda queda muito caminho por andar. E coloquei o livro "Muros de silencio" ao pé da minha almofada, porque Henrique Barrera nolo recomendou hoje como um livro para a luita, que devemos estudar para ordear bem os nossos argumentos e seguir dando o debate por um modelo de desenvolvimento respetuoso coa vida e o meio. Do resto penso que está todo em marcha, quando menos já sei dumha nova cita cidadá no peirau, e umha nova reuniom do Comité de Emerxencia, e umha nova Asemblea Cidadá...O xacimento romano da fotografia, estava sendo escavado por Patrimonio quando se decidiu construir a planta regasificadora. Os restos do xacimento, agora já desaparecido, estám na actualidade apilados em caixas.
Lupe Ces
Ferrol - 10.05.2007
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